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VOLIÇÃO - 24/05/2020 - 02h28

VOLIÇÃO - 24/05/2020 - 02h28       Hoje saí de casa como se... como se a vida pela primeira vez estivesse fazendo sentido. Talvez seja uma daquelas reflexões clichês que temos nos momentos mais comuns. Sim, comuns. Aqueles momentos em que descobrimos o "algo novo", como quando refletimos sobre a luz de dentro da geladeira ou, quem sabe, sobre quantas pessoas estão fazendo determinada coisa em todo o mundo. E exatamente como um destes clichês à moda da vida, tive um dos piores que existe: o luto.        A verdade é que podemos ver o luto de várias maneiras -- Obviamente... Vi como pode ser reconfortante, como quando nos atentamos ao céu e começamos a imaginar que aquela amada pessoa está nos vendo chorar por ela enquanto pensa "não chore! Eu estou num lugar melhor! Não iria querer vê-lo chorar!". Talvez não seja assim; não seja simplesmente divino.         Também vi como pode ser apenas uma falta de se ser. Como quand...

MÚSICA - Lupicínio Rodrigues - Nervos de Aço

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MÚSICA - Lupicínio Rodrigues - Vingança O rei das dores de cotovelo! Lupicínio Rodrigues, nascido no Rio Grande do Sul, foi um grande compositor brasileiro. Vários artistas até hoje regravam suas magníficas composições. Composições estas que tem uma temática sofrida, a famosa "dor de cotovelo" que Lupicínio tanto fala. Esta música não traz consigo o perdão de uma traição, pelo contrário, denota fortemente o sentimento de vingança, que tem como agente principal os caminhos da própria vida (e uma ajudinha divina) e só vingança, vingança, vingança aos santos clamar ; a ex-amada há de rolar como as pedras que rolam na estrada, sem ter nunca um cantinho de seu pra poder descansar . Com este destino, o lado lesado, nos empreendimentos do amor, será ressarcido de todas as suas perdas morais e sentimentais, podendo cantar para todos ouvirem eu gostei tanto... tanto... (...), que tive mesmo que fazer esforço pra ninguém notar . Eu gostei tanto, tanto quando me contaram Que lh...

MÚSICA - Noel Rosa - Gago Apaixonado

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MÚSICA - Noel Rosa - Gago Apaixonado Grande Noel Rosa! Um dos mais célebres artistas brasileiros, talvez o maior dos nossos compositores. Dizem que compôs esta música para um amigo que era gago e que estava apaixonado, porém não sabia como conquistar a amada. Noel então criou esta obra prima, que mistura a gagueira do infeliz apaixonado ao compasso do samba. A letra e o ritmo da música são  originais , digo, nunca existiu tal junção. E a criação não caberia a outra pessoa senão ao genial Noel Rosa, que conseguiu dar métrica a uma característica tão peculiar, inimiga direta da cadência musical. Não sei se o seu parceiro gago conseguiu conquistar a sortuda (por ter ganho uma música feita pelo Noel, não pelo gaguinho), mas com certeza marcou a história da nossa amada música brasileira. Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago Não po-posso com a cru-crueldade da saudade Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago Tem tem pe-pena deste mo-m...

VOLIÇÃO - 28/11/2019 - 23h59

VOLIÇÃO - 28/11/2019 - 23h59 Quero escrever, quero ler Quero me apaixonar de novo Encontrar um amor que more longe Tão longe que nosso encontro seja uma odisseia Uma odisseia de tempo, grana e desejo. Quero ouvir música espanhola, Francesa, italiana e brasileira. Quero dançar foxtrot com o meu recente amor Não aquele que está lá... longe pra caralho, Mas sim aquele que eu reencontrei recentemente E que tem um nome bom e fácil de se decorar TIPO BIA , de Beatriz. Quero trair o meu longínquo amor, Quero sentir pena dele e ódio de mim mesmo. Quero me perdoar, perdoar o mundo Perdoar Hitler, apesar de não ligar. Quero ser feliz, Mas não tão feliz a ponto de esquecer a tristeza Fiel companheira de todos os homens Fiel até demais para mim... Vadia, amante e mãe, a tristeza é uma só mulher.

MINICONTO - O Inacabado Projeto de Jacy

MINICONTO - O Inacabado Projeto de Jacy    Não se precisava ler o jornal, pois todos já sabiam do ocorrido de tão corrido que foi o boato. Nada aquietava os olhares agudos que a vizinhança lançava, ora com sua piedade, como se de alto escalão ocupassem o céu, ora com suas verdades, como se espalhassem novamente as mentiras de Jesus Cristo.    De verdade era a dúvida de Jacy. Não conseguia acalentar seus desejos, já não tinha perturbações com a morte da sua infância. Seu corpo obedecia às regras da vontade, mesmo que fétidas. Aliás, a podridão das suas volições era o que movia seu prazer, o que deixava suas coxas úmidas, suas canelas bambas e seus pés se contorcendo. À medida em que a sua incerteza aumentava, seus dedos estalavam mais, e suas canelas ficavam mais fracas, e suas coxas mais embebidas.    Tornou-se mulher por arbitrariedade. Decidiu no uni-duni-tê, porque não tinha tempo pra mais indecisão... Ela precisava amar. Se armou de todas as ...

POEMA - À Noite, Eu e o Real

POEMA - À Noite, Eu e o Real Vou tomar um banho pra tirar o teu cheiro do meu corpo Pois se no encosto da noite o sereno não vier E uma desculpa me faltar pra justificar o molhado do rosto Direi que não foi por vênus-mulher Será pelos martírios dos ledos enganos Solavancados pelos deformes da face da Lua Que nos encobre as tristezas por debaixo dos panos E em forte foice nua, Crua, Rasga o nicho das madrugadas de TV, e janela, e ditos poemas em aquarela, e paródias teatrais de um personagem a se ser . É o chamado balanço da realidade Onde não se há desengano Numa noite de frieza fria, de choro chorado, Na fala do protagonista em dizer no mastigado da raiva "Eu não te amo"